A ditadura do bom dia

A Experiência

“Em Paris, se você disser “por favor”, “bom dia” e “até logo”, tudo certo, você é considerado educado! Desse jeito, você pode dizer as grosserias que quiser entre as palavras e não precisa ser agradável. Isso é estranho para nós, Brasileiros, que temos tendência a nos surpreender quando as pessoas não são amáveis. Para sobreviver psicologicamente em Paris, não podemos nos impressionar se as pessoas não forem simpáticas, não é nada pessoal: a pessoa está ali – o comerciante, o garçon, a moça do caixa ou outra -, está trabalhando mas nem sempre feliz de estar naquele lugar, aliás.

Eu me lembro de uma cena no metrô parisiense que me marcou particularmente: turistas queriam comprar tíquetes no balcão e o atendente estava brigando com eles porque eles não tinham dito “bom dia”!

Em contrapartida, temos que saber que só se pode dizer bom dia uma vez ao dia. O que é difícil para nós, porque em português temos outras opções: falamos facilmente “boa tarde” ou “boa noite”. Em francês, essas expressões existem mas eu tenho a impressão de que são menos usadas. Eu me lembro que uma vez, eu reencontrei um amigo francês e lhe disse “bom dia” e ele me respondeu: “ué, Lucas, nós já nos vimos hoje de manhã, você esqueceu?”. Não, mas é que eu não sabia o que dizer!”

Local Paris, France

Data 2010

Quem conta

Lucas é Brasileiro e morou na França dois anos e meio. Ele mora no Rio ha 10 anos.

O que você pensa disso?

2019-03-27T15:36:17+01:00